O desastre atômico
O desastre na usina atômica de Fukushima, em conseqüência de um terremoto seguido de tsunami, deixa claro que, apesar de todo o avanço nas últimas décadas, a ciência ainda é incapaz de controlar a energia nuclear. O mundo inteiro está apavorado com o vazamento radioativo que se espalha cada vez mais pela atmosfera, atingindo outros continentes.
A esta altura, autoridades de vários países discutem se a energia atômica é mesmo uma alternativa econômica sustentável. Os recursos hídricos, que predominam no Brasil, são cada vez mais escassos e ameaçados pela falta de preservação da natureza. Mas é possível reverter a situação com uma política ambiental que seja, de fato, responsável.
Cientistas ligados a entidades ambientalistas estão convictos que a energia gerada pelos átomos é uma ameaça permanente à humanidade, até porque ainda não foi encontrada uma solução técnica definitiva para o lixo atômico. Mesmo estocado, ele permanece ativo. Basta um erro, uma falha humana ou desastre natural, como o ocorrido há poucos dias no Japão, para que espalhe radioatividade.
O mundo possui hoje quase 450 reatores nucleares em operação, distribuídos em 29 países, que geram quase 380 mil megawats de energia. Apenas 4 reatores da usina de Fukushima estão colocando o mundo em alerta geral. O que dizer, então, do fato de o Japão, um país bastante suscetível a grandes desastres naturais, possuir outros 50 reatores em operação?
A ciência atômica praticamente não avançou nos últimos 50 anos, enquanto as energias renováveis – provenientes de recursos que são naturalmente reabastecidos – deram passos bastante significativos nos últimos 5 anos. Elas são responsáveis atualmente por mais de 20% de toda a energia consumida neste planeta azul.
Mas é evidente que fazer uma troca energética, a esta altura, vai muito além de uma questão meramente econômica – e o preço será muito alto. Vamos precisar de uma mudança de mentalidade, de uma grande mudança comportamental. Teremos de rever drasticamente o nosso padrão de consumo de energia.
Um bom começo é reduzir o consumo de combustíveis fósseis e, claro, iniciar a desativação dos reatores atômicos. Quem se habilita?